O caminho de regresso a mim
Há momentos na vida que nos questionamos, "Quem sou eu?"
No meu caso, essa pergunta surgiu de forma inesperada! Percebi que demasiadas vezes não sabia do que gostava, que música realmente me tocava, ou até que estilo de cabelo me ficava melhor. Isto não me condiciona, sei sempre a quem perguntar (diz-me um dos macaquinhos que mora na minha cabeça).
Durante anos, segui os gostos dos outros, deixei-me influenciar pelas preferências das pessoas que admiro, sem nunca parar... para me perguntar o que realmente queria.
E de forma mais uma vez inesperada, dei por mim a saber de cor o prato preferido de todas as pessoas que moram comigo, dos amigos mais próximos e até de alguns familiares mais distantes, mas sem fazer ideia de qual era o meu. Senti um vazio, uma sensação estranha de que algo estava em falta. Foi nesse momento que comecei a ficar incomodada e a pensar em como vivia. De forma prática a viver à sombra dos gostos e desejos dos outros. E senti uma vontade de descobrir quem sou eu, o que eu gosto, o que quero fazer.
Se não nos conhecemos estamos a viver? Ou estamos a sobreviver.
À medida que comecei a explorar quem sou, percebi que havia a possibilidade de estar muito longe de mim e a viagem de regresso não tem um tempo exato.
Comecei a aprender que tinha de escavar profundamente, removendo camadas e mais camadas de expectativas, medos e máscaras que fui acumulando ao longo dos anos.
Estas camadas são espessas e pesadas, há muitos momentos em que quero desistir. Afinal, essas camadas protegeram-me durante tanto tempo, ajudando-me a lidar com as dificuldades. Mas também me afastaram da minha essência, do meu verdadeiro eu. Sabia que precisava de coragem para começar a removê-las, uma a uma, com cuidado e gentileza, porque por mais que me tivessem protegido, também me deixaram cicatrizes.
Mas que para me descobrir, tenho de ser persistente, disciplinada e amorosa comigo. Não se trata de arrancar essas camadas à força, mas de as retirar suavemente, respeitando o tempo e o espaço que cada uma precisa para se desvanecer.
Se conseguir chegar ao final deste caminho, ao meu núcleo, talvez finalmente me encontre, relembrando quem sou e o que vim cá fazer.
Se esse dia chegar quero celebrar, celebrar por fazer o caminho e pela descoberta. A descoberta do teu verdadeiro eu.
Com amor,
Vanessa


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