Quando o Coração Engana o Medo
Enfrentar o medo nunca é fácil. Muitas vezes, imaginamos o medo como algo tão grande que não ousamos sequer falar com ele. Deixamo-lo crescer dentro da nossa cabeça, transformando-se num gigante que nos paralisa e nos faz criar máscaras para nos proteger. Mas, e se confiarmos? O que acontece?
Não sou dada a grandes aventuras. Prefiro a segurança do conhecido, onde posso manter os pés bem assentes no chão.
Este verão, a minha amiga Sofia insistiu para eu experimentar snorkeling. Lembro-me de pensar para mim: “Hum... Não sei se é para mim.” Mas, ela deixou a semente. A ideia ficou ali, a germinar silenciosamente.
Mais tarde, o meu marido disse-me que íamos fazer snorkeling e mergulho. Se alguma vez me imaginava debaixo de água? Um categórico não! A ideia de mergulhar no desconhecido, de estar cercada pela imensidão do oceano, era aterradora para mim.
Não houve uma grande explicação, nem uma lógica convincente. Mas, naquele momento, o meu coração decidiu confiar sem pestanejar, como se a decisão não fosse minha, como se o meu ser tivesse deixado de pensar. Era como se, por um instante, eu tivesse desligado a voz do medo.
E assim, mergulhei. E mergulhar foi a melhor experiência da minha vida. Não consigo encontrar palavras que façam justiça ao que vi e senti. A serenidade do silêncio submerso, a beleza indescritível dos corais e dos peixes coloridos, a paz profunda que me envolveu... Nunca, nos meus sonhos imaginei algo tão bonito. Nunca me senti tão leve, tão conectada a algo maior do que eu.
Queria guardar dentro de mim, para sempre, o que ali vivi. O meu coração enganou o medo. Sou tão grata por este coração se ter permitido arriscar, por ter ousado ver mais, sentir mais, amar mais este planeta incrível que temos a sorte de chamar casa.
Aprendi que quando deixamos de lado as ilusórias mascaras de proteção e confiamos, mesmo sem saber exatamente no quê, abrimos portas para experiências que transformam a nossa alma. O medo continuará a existir, porque é humano. Mas, às vezes, é preciso deixar o coração mandar, permitir que ele engane o medo e nos leve a lugares onde nunca imaginámos ir.
Sei que o desconhecido pode ser assustador, mas é precisamente no desconhecido que se escondem as melhores coisas que a vida nos pode oferecer. Por isso, agradeço ao meu coração por me ter permitido ir, e ver que há um universo inteiro para ver, sentir e amar, se apenas tivermos a coragem de confiar um pouco mais e pensar um pouco menos.
Com amor,
Vanessa


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