Semear Amor na Escuridão da Alma


Dois dias de Egipto e sinto, há pessoas que têm o dom de nos fazer sentir bem, que fazem o que precisam com amor, sem esperar nada em troca. Elas trazem consigo uma luz especial, uma serenidade que ilumina o caminho dos que estão à sua volta. Quando estou perto de pessoas assim, sinto algo profundo. 

Penso na minha alma, onde tantas vezes há escuridão, gosto de acreditar que se tivesse mais destas pessoas a minha volta  com as suas candeias, talvez me ajudassem a plantar pequenas sementes de esperança e beleza.

Essas sementes são especiais. Elas carregam a promessa de se transformarem em algo maior — talvez em amor, talvez em cura, talvez em algo que ainda nem consigo imaginar. No entanto, existe uma realidade que preciso enfrentar: se tenho o coração tão protegido, envolvido por camadas de medo e desconfiança, como posso permitir que essas sementes germinem? Como posso abrir-me ao amor se mantenho as portas do meu coração fechadas?

Proteger o coração é uma reação natural quando a vida nos magoa, quando as decepções deixam cicatrizes profundas. Construímos muros altos, com a ilusão de que assim estaremos seguros. Mas esquecemo-nos de que esses mesmos muros que nos protegem também nos aprisionam. Eles impedem que o amor entre, que as sementes plantadas pela bondade dos outros floresçam na nossa alma.

Talvez seja preciso partir o medo que envolve o coração. Talvez seja preciso um ato de coragem, uma decisão consciente de baixar as defesas e permitir que o amor encontre o seu caminho. Partir o medo não significa ser imprudente ou ignorar as nossas feridas; significa reconhecer que as cicatrizes fazem parte de nós, mas não precisam de definir o nosso futuro.

Aquelas pessoas que irradiam luz e amor estão a mostrar-nos que existe um caminho diferente. Elas ensinam-nos que, mesmo nas trevas, podemos plantar beleza. Podemos escolher ser jardim em vez de deserto, podemos escolher acolher em vez de afastar.

E, assim, pouco a pouco, quando permitimos que o amor entre e que as sementes brotem, a escuridão da alma começa a ser pontilhada de luz. As sementes começam a transformar-se, a crescer, e o amor, que antes parecia um sonho distante, começa a tomar forma, a enraizar-se e a florescer.

O caminho não é fácil. Exige paciência, entrega e, sobretudo, fé. Fé em nós mesmos, fé naqueles que nos amam e nos ajudam a encontrar a luz no meio da escuridão. E é neste caminho de transformação que, um dia, olharemos para trás e veremos que o medo que outrora nos prendia já não tem o mesmo poder.

Então, a escolha é nossa: manter o coração fechado e seguro, ou abrir as portas, partir o medo e semear o amor. Porque, no fim, a vida é demasiado preciosa para ser vivida na sombra daquilo que tememos.


com amor.

Vanessa



Comentários

  1. Se há dádivas que sinto ter recebido nos útimos tempos, foi sentir que houve uma brecha nesse teu muro de protecção para que a minha candeia pudesse cruzar a tua luz e, aos poucos, as nossas trocas de conversas sobre o amor, sem interesses supérfluos se tenham vindo a cimentar. Tenho aprendido tanto contigo, acredita que sim. Com carinho da tua tia MC.

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  2. Obrigada tia 🤍 sei que o tempo de Deus é perfeito e tudo tem um propósito! Nada como ouvir o coração e tirar as proteções, só assim conseguimos viver e sentir estas coisas boas, beijinhos

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