Definição de Amizade
A Minha Verdadeira Definição de Amizade
Segundo a Encyclopedia Britannica, a amizade é definida como "um estado de afeto duradouro, estima, intimidade e confiança entre duas pessoas". Esta definição sublinha o quanto a amizade é uma relação recíproca e voluntária, caracterizada por laços profundos de afeto e apoio mútuo, sem obrigações formais, mas com um forte compromisso emocional.
Ontem, durante uma viagem de carro com uma amiga, começámos a questionar o que consideramos aceitável ou não numa relação de amizade. Ficou claro que, em quase vinte anos de convívio, continuamos a manter posições muito diferentes (há coisas que não mudam!).
Para mim, não é aceitável falar de uma amiga a uma terceira pessoa e pedir a essa pessoa para não comentar com a minha amiga algo que eu disse sobre ela. (Espero que não esteja muito confuso.)
Na minha interpretação, se estou a pedir para não comentar, é porque sei que o que estou a dizer vai ferir ou incomodar. Então, se preciso de lhe dizer algo que me incomoda, mas acredito que a vá magoar e que é desconfortável, o que fazer?
a) Portar-me como um adulto, enfrentar as coisas aborrecidas da vida e arranjar uma forma amorosa, assertiva e corajosa para o fazer.
b) Comentar com uma terceira pessoa, que em nada vai ajudar a resolver a situação, dizendo a mim própria que não foi por mal, que fiz esse comentário apenas para desabafar?
Eu acho apenas a opção a) aceitável, enquanto a minha amiga considera a opção b).
A minha questão foi, o facto de conseguir mostrar indignação e mágoa a outra pessoa e não à minha amiga? O que diz sobre mim? Onde e como fica posicionada a lealdade e o compromisso emocional?
Lise Bourbeau disse: “O que Pedro pensa de Paulo diz mais sobre Pedro do que sobre Paulo."
Voltando à nossa conversa de carro, as questões que coloquei foram:
Se não tenho liberdade ou conforto para expressar o que sinto, será que considero essa pessoa minha amiga?
Será possível ter como amiga uma pessoa que não fica feliz com o meu sucesso, com as minhas conquistas? Sentimos estar a competir com os amigos? Ou isto é outro tipo de relação?
(As minhas perguntas são apenas de uma pessoa curiosa, que gosta de ter diferentes pontos de vista.). Em minha defesa sou Geminiana.
Mas existem tantas formas de nos relacionarmos!
Mas esta Vanessa, agora com 49 anos, quando diz "minha amiga”, é porque sente que essa pessoa é verdadeiramente amiga. Sou uma alma que adora comunicar e que se relaciona com muitas pessoas, mas considero ter muito poucas amigas.
As minhas amigas são a minha estrutura, a minha rede de apoio. São as pessoas em quem escolhi confiar, aquelas que respeito profundamente, a quem confio verem-me em estados de extrema fragilidade, porque sei que me protegem. E, nos momentos em que preciso, aparecem como por magia.
Nem sempre foi assim. Nem sempre respeitei a amizade, nem sempre fui responsável e correta com pessoas a quem chamava amiga. Também eu já chamei "amiga" a pessoas que sabia não nutrirem por mim um verdadeiro afeto, não ficarem felizes com o meu sucesso, algumas acreditavam tirar alguma vantagem com a relação. Já permiti, porque, há momentos, que não queremos perder. Vamos ficando com quem não nos identificamos. Não sei por que razão fazemos isto, mas fazemos — ou pelo menos eu fiz.
Hoje, permito-me ser diferente. As pessoas a quem chamo amigas são aquelas a quem poderia enviar a definição da Britannica sem pestanejar. São pessoas por quem tenho um verdadeiro afeto, um laço profundo que vai muito além de "likes", selfies e mensagens nas redes sociais.
São pessoas que admiro e respeito profundamente. São aquelas com quem partilho as minhas conquistas e que partilham as delas comigo. São as que se indignam quando ouvem falar mal de mim e que me dizem a verdade quando sabem que não estive bem. São as que percebem quando algo não está bem, só pela voz, por uma mensagem ou pelo meu olhar, mesmo que seja no meio da multidão. E, na maioria das vezes, são as que sentem no coração e ligam a dizer: "Senti que não estás bem." São pessoas que me conseguem ler sem eu precisar de dar qualquer justificação.
Acredito que, com a idade, fui-me aproximando da definição da Britannica, e hoje quero celebrar isso. Aprendi a escolher as amigas e quem aceito ter como amiga. Percebo hoje que a amizade é também impermanente, as pessoas de quem precisamos aparecem no momento certo da nossa vida. Algumas vão manter-se ao longo de todo o nosso caminho, outras entram e saem, cumprindo a sua função, porque o tempo de Deus é divino.
Para mim, a amizade vai muito além do convívio e está muito longe dos anos que conheço a pessoa. É um compromisso de honestidade, respeito e afeto mútuo, sem medo de mostrar as vulnerabilidades, porque sabemos que, na amizade, existe um porto seguro onde podemos ser nós mesmos e onde tudo se mantém protegido naquela teia de apoio e amor que suporta as amigas.
Com Amor,
Vanessa



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